Estamos prestes a comemorar mais um feriado. Desta feita, o dia será dedicado às homenagens ao trabalho (ou ao trabalhador). Mas, a despeito de ser um dia de muitas reivindicações e de muitas homenagens, o verdadeiro sentido da data, às vezes, é ignorado.

Antes de tudo, é preciso fazermos uma viagem ao século XIX, quando a indústria teve um desenvolvimento substancial na América do Norte e, sobretudo, na Europa. A Revolução Industrial, que aconteceu na Inglaterra, foi responsável pela grande transformação   econômica e social pela qual passou o mundo todo. A relação de trabalho, depois da expansão dos parques industriais, nunca mais foi a mesma!

Naquela época, o número de trabalhadores crescia, mundo afora, na mesma medida em que surgiam as grandes fábricas. Em função desse assustador crescimento da massa de operários, o dia-a-dia no interior das fábricas mudou consideravelmente. A falta de  legislações trabalhistas fortes e consistentes, somada à extensa jornada diária, culminou num devastador e precário ambiente de trabalho. Cabe destacar que, em meados do século XIX, o dia de labor chegava a 15 horas diárias em média.

Essas mudanças no cotidiano das indústrias trouxeram à tona vários movimentos reivindicatórios que buscavam, entre outros benefícios, a consolidação de uma legislação   trabalhista que garantisse mais dignidade e mais conforto ao operário. O instituto da greve geral foi a ferramenta mais utilizada, por esses movimentos organizados, como forma de pressão. Aliás, o dia 1º de maio tem tudo a ver com esses acontecimentos.

Relatos históricos apontam que em 1º de maio de 1886, na cidade de Chicago (EUA), aconteceu uma gigantesca greve geral paralisando as atividades das fábricas dessa cidade, que, à época, já se despontava como um dos grandes centros urbanos e industriais dos Estados Unidos. Tal greve foi duramente combatida por policiais e, segundo consta, houve conflito e derramamento de sangue numa clara sinalização de violência das partes envolvidas. Este triste evento, para muitos, é o marco na luta pelos direitos trabalhistas e ficou registrado na história como o Dia Mundial do Trabalho.

No Brasil, apesar de a data ser comemorada desde 1890, somente em 1924 o 1º de maio entrou para o rol das datas comemorativas de forma oficial. De lá pra cá, muita coisa mudou na vida do trabalhador brasileiro, principalmente entre os anos de 1930 a 1945, quando da conquista de vários benefícios e direitos, entre os quais: criação do Ministério do Trabalho, licença maternidade, jornada diária de 8 horas e a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT). Isso tudo, diga-se de passagem, aconteceu no Governo de Getúlio Vargas.

Por outro lado, somos sabedores de que, apesar dos avanços, ainda há muito o que conquistar no âmbito dos direitos trabalhistas.

A Constituição de 1988, por sua vez, fortaleceu sobremaneira a cidadania do trabalhador. Direito ao aviso prévio, ampliação para 120 dias da licença maternidade, instituição da licença paternidade, direito à greve e jornada de trabalho de 8 horas (limitada a 44 horas semanais) foram alguns dos benefícios garantidos pela nossa Carta Magna.

Por outro lado, somos sabedores de que, apesar dos avanços, ainda há muito o que conquistar no âmbito dos direitos trabalhistas. É importante, neste 1º de maio, comemorarmos com as nossas famílias e os nossos amigos, mas com a consciência de que jamais podemos deixar de lado o nosso espírito reivindicatório. Inclusive, é preciso que tomemos razão de que há milhões de trabalhadores sem emprego na atual conjuntura do país. Ou seja, vários pais e mães de famílias não terão, neste dia 1º de maio, o que celebrar!

Por isso, se faz necessário que autoridades competentes aproveitem esta significativa data para repensar o Brasil e uma forma de devolver, o quantos antes, os empregos aos nossos bravos trabalhadores.

É isso o que desejamos e é isso o que esperamos!

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