Medalha é entregue aos agraciados durante a solenidade do Dia de Minas. Foto: Luiz Loureiro/Divulgação

Medalha é entregue aos agraciados durante a solenidade do Dia de Minas. Foto: Luiz Loureiro/Divulgação

Abordei, na semana passada, o “imbróglio” da realização da cerimônia do Dia de Minas, e também a questão do significado da data, de sua efetividade e as comendas entregues na solenidade.

Volto hoje ao assunto para comentar alguns pontos que me chamaram a atenção ao presenciar a festividade realizada na Praça Minas Gerais, no último dia 16.

Antes de mais nada, é necessário ressaltar que, exceto pela ausência do ostensivo aparato de segurança e daquele estranho brilho e pompa oficialesca dos últimos anos, a comemoração ocorreu sem maiores contratempos, de modo simples e correto. Sob este enfoque, portanto, nenhuma falta fez o Senhor Governador do Estado, embora seja sempre necessário reconhecer que houve um certo desrespeito às tradições e, por que não dizer, às leis vigentes.

Sem repisar esse tipo de questão, acredito ser mais importante ressaltar outros detalhes. O primeiro foi a ausência do prefeito municipal no palanque das autoridades e dos homenageados. Segundo o próprio, em entrevista após a solenidade, a recomendação teria partido de sua assessoria jurídica, para evitar eventual alegação de infringência à lei eleitoral.

Embora elogiável – principalmente se considerarmos o histórico recente de crimes eleitorais em nossa cidade – e também com a ressalva de que este escriba não tem profundo conhecimento da questão, é cabível o estranhamento a essa recomendação ou até mesmo à própria legislação eleitoral.

O que se viu foi a presença, mais que ostensiva, de Regiane Oliveira, primeira-dama e secretária de Desenvolvimento Social e Cidadania do município, como figura central do palanque e responsável pela entrega das comendas e de presentes aos agraciados. Já a jornalista Kíria Ribeiro fez a leitura de um discurso/pronunciamento e, ao final, anunciou que aquelas eram as palavras do prefeito municipal, Duarte Júnior.

Então, qual foi o efeito prático da recomendação? O prefeito circulou pela Praça, falou com todo mundo, deu entrevista, mas não podia estar no palanque? Não quero recomendar, longe disso, qualquer desrespeito à lei, mas afinal Duarte Júnior é o mandatário municipal e a festividade foi instituída há décadas. Não faz o menor sentido privá-lo de exercer parte de suas funções, principalmente quando a alternativa é colocar suas palavras na boca de outra pessoa e ter sua esposa como representante oficial.

Um outro ponto que gostaria de abordar é a questão do diminuto número de pessoas na solenidade. O prefeito atribuiu o fato à incerteza da população quanto à realização da festividade, mas seria somente isso? Será que a restrição imposta nos anos anteriores também contribuiu para isso? Ou seria pertinente questionar se a população reconhece a data como algo realmente importante? O fato é que muitas das pessoas que fizeram manifestações contrárias à decisão de cancelamento por parte do Governo Estadual não apareceram. Até mesmo alguns políticos locais abstiveram-se de comparecer e foram notadas ausências de algumas autoridades locais, como a do secretário de Cultura, Turismo e Desportos.

Em conversa pouco antes do fechamento deste texto, Vicente Freitas disse que não é de seu feitio participar desse tipo de evento, preferindo o trabalho diário em sua repartição. Apesar de respeitar a opinião do secretário, tenho a convicção de são os chamados “ossos do ofício” e que a presença das autoridades ajuda a moldar o caráter oficial desse tipo de solenidade. O mais importante da fala do secretário, porém, é que ele afirmou não ter participado da elaboração da lista de homenageados e sequer saber a razão pela qual cada um foi escolhido, apesar de ter sido indicado para integrar a Comissão Especial encarregada de designar as personalidades que receberiam a “Medalha Comemorativa do Dia do Estado de Minas Gerais”, como disposto na Portaria nº 12, de 06/05/2016, assinada pelo prefeito municipal.

É exatamente nesse ponto que quero aprofundar a análise e o comentário. A coluna apurou, junto à assessoria de comunicação da Prefeitura Municipal, que existe uma espécie de listão, com atualização contínua, de pessoas consideradas aptas a serem homenageadas, em função de algum tipo de ação considerada relevante ou de destaque em prol do município. Essa lista é apresentada anualmente ao prefeito municipal e depois submetida ao crivo de uma comissão especial instituída por portaria, para a definição de até 25 nomes.

Este colunista, no mencionado contato com a assessoria de comunicação, não conseguiu respostas satisfatórias para o questionamento dos critérios, realmente objetivos e claros, adotados para a escolha dos agraciados. Assim, a tal relevante atuação, ou serviço prestado à cidade, carece de maior transparência. Sendo já razoavelmente vivido, este escriba costuma “pensar com seus botões”. Porém, nenhuma resposta fornecem meus botões quando indagados se é razoável admitir-se, efetivamente, que 25 pessoas tenham sido realmente relevantes e significativas a cada ano. Além disso, considerando-se que a honraria foi instituída há mais de três décadas, mais de 750 pessoas devem ter sido agraciadas e a ação de todo esse contingente deveria ter tornado Mariana uma cidade bem melhor do que efetivamente é.

Para finalizar o tema, registro que o deputado federal Bruno Araújo, ministro das Cidades, nomeado há pouco mais de 60 dias, também foi um dos agraciados. A coluna desconhece quais foram as suas ações em favor de Mariana, mas ficará atenta às palavras proferidas no final de seu discurso: “O pernambucano não se ajoelha para pedir, mas sim para agradecer. Vim aqui hoje, humildemente, como brasileiro, agradecer a Mariana e a Minas o que fizeram pelo país. Chegou a hora do Brasil fazer por Mariana”.

As informações e opiniões expressas nesta coluna são de responsabilidade única do autor.

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