Ao analisarmos a música Passarinhos, precisamos levar em conta que Emicida está mais maduro do que nunca. Foto: Casa Fora do Eixo Minas/Divulgação.

Ao analisarmos a música Passarinhos, precisamos levar em conta que Emicida está mais maduro do que nunca. Foto: Janaina Castelo Branco/Divulgação.

♦ DEBATES

Em todo final de ano, os meios de comunicação realizam suas retrospectivas. Segundo o dicionário Michaelis, “retrospectiva” vem de retrospecto, que, dentre muitos significados traz a definição de “lance de olhos para as épocas anteriores”. Ao chegarmos ao final deste ano, lancei meu olhar e convido você, leitor, a lançar o seu também para uma música do cantor Emicida em parceria com Vanessa da Mata: Passarinhos. Só no YouTube, foram mais de quatro milhões de visualizações. Esta semana Passarinhos ganhou o prêmio  “Year in Vevo”  de clipe visionário do ano.

Emicida é conhecido não só pelo seu “som”, mas também por seu embasamento político e suas opiniões, que envolvem e transcendem as melodias e letras de suas músicas. Ao analisarmos a música Passarinhos, precisamos levar em conta que o rapper está mais maduro do que nunca. Completou dez anos de carreira e a música está presente em seu álbum “Sobre crianças, quadris, pesadelos e lições de casa”, fazendo parte de uma série de músicas como “Boa Esperança”, que trazem reflexões sociais, principalmente no cenário político-econômico-social em que vivemos. O disco é resultado de uma viagem a Cabo Verde, Angola e Cachoeira que Emicida realizou este ano.

Dentre os temas contidos na canção está a crise hídrica de São Paulo: “Água em escassez, bem na nossa vez / Assim não resta nem as barata”, um dos aspectos que Emicida mais critica no atual governo do Estado de São Paulo. O Congresso conservador e ultrapassado também recebe créditos no verso: “Injustos fazem leis e o que resta pro ceis?”. Além, da ambição e corrupção que corrói e destrói:

 

“Quando pessoas viram coisas, cabeças viram degraus”.

 

Muitos outros aspectos são abordados. Passarinhos é mais do que uma música bonita; é, sem dúvida,  uma aula de história e geopolítica. Não é por acaso que o rapper tem se tornado referência. A própria Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) escolheu Emicida como “Artista do Ano” na categoria de música popular.

O clipe da música é um delírio. Ficamos livres em cada cena e refletimos: como a meritocracia não existe! Faltam oportunidades no país e sobram talentos. A esperança, contida em cada trecho, nos impulsiona a não somente fazer a nossa parte, mas a lutar a favor de todos e não só de nós mesmos. Assim, continuemos torcendo para que Emicida voe cada vez mais alto e nos leve junto em suas letras, melodias e posicionamentos. “Passarinhos soltos a voar dispostos”.

As informações e opiniões expressas nesta coluna são de responsabilidade única do autor.

 

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