Mais um final de semana com feriado prolongado. Quem não adora? As manifestações nas redes sociais continuam, com textos soltando a verborragia diante da roubalheira desenfreada e generalizada, seguida de memes de figuras políticas de destaque, que usufruíram, por décadas, do poder. Quem diria que presidentes, governadores, deputados, senadores ‘laranjas’, parentes de poderosos, empresários graúdos pudessem estar atrás das grades? Tempo de revolta. Tempo de ficar de olho nos representantes. Tempo de não confiar cegamente em ninguém e em nenhum partido! Tempo de olho por olho, dente por dente. Tempo para diligências em revelar quebra de sigilo de mensagens, de sigilo telefônico e bancário. Tempo de divulgar os maus feitos de todos, e de se revoltar com os desmandos e descaramentos de quem praticou ato ilícito. Tempo de malas sendo arrastadas por figuras políticas de prestígio, com propinas. Tempo de delação premiada; algumas premiadíssimas! Tempo de jogar algumas tralhas no lixo, e reciclar outras, afinal aqui está tudo pela hora da morte. Por um fio, por milímetros não caímos no precipício. Por um fio, não sabemos mais quanta podridão será despejada nos nossos ouvidos. Mas o calendário dá uma pausa para falar de amor, afinal é junho, mês dos namorados. Precisamos de pelo menos, uma pausa, uma noite romantizada, de amor escancarado… Quem sabe um poema declamado ao pé do ouvido do/a amado/a? Precisamos concretizar aquele velho sonho; talvez usar roupa ousada, sair para jantar fora, ou para dar uma volta na rua, na praça ou no calçadão. Nada de passeios com destinos caros. Nada de jantares em restaurantes badalados. O tempo não está para o amor com cartão sem ‘teto de gastos’. Este tempo reprime os sentimentos mais puros, com podridão saindo por todos os cantos.  O tempo é pé no freio; olhos abertos, indagadores e suspeitos. Tempo de vexação com a política do país. Tempo de vergonha com os avacalhadores da política.  Tempo de descrença e forte desconfiança. Tempo de reunir forças e pessoas de reputação ilibada, para renascer novas esperanças na política. Tempo de conhecer caminhos longos e burocráticos da justiça. Tempo de ascensão do direito e do dever. Tempo de punir políticos desonestos e seus comparsas. Tempo de cassar mandatos. Tempo de colocar a boca no trombone. Tempo de não aceitar injustiças. Tempo de vigiar a coisa pública. Tempo de nenhuma privacidade. Tempo de não poder viajar. Tempo de não poder gastar. Tempo de economizar. Tempo de segurar com unhas e dentes, o emprego. Tempo de repensar o presente e o futuro. Tempo de cortar despesas. Tempo de dinheiro minguado. Tempo de alta do dólar. Tempo de desvalorização da bolsa. Tempo de economia encolhida. Tempo de reformas duras. Tempo de insultos entre simpatizantes e opositores. Tempo de xingar e culpar a mídia. Tempo de publicar manifestações de intolerância e ódio. Tempo de gastar tempo com a vida do/a outro/a. Tempo de querer fazer justiça. Tempo de depressão. Tempo de dores. Tempo de lamúrias e choramingos. Tempo de reclamar o leite derramado. Tempo de se arrepender. Tempo de querer novo caminho…

Pois é tempo de lamentar estes fatos de forma generalizada, afinal a coisa está braba. 2017 nunca esteve tão longo e pesaroso, mostrando a cada virada de horas, que o dia de ontem pesou menos que o de hoje. E amanhã, como será? Não me atrevo a pensar; por hora, agora, é mais um final de semana com feriado prolongado. Tempo de organizar reunião festiva com a família em casa, mesmo. Nada de firula e gastância. Tempo de escrever, a próprio punho, uma carta romântica, com letras e margens bordadas, celebrando o amor, esse sentimento puro, divino e forte, que junta almas, sonhos numa caminhada longe nesse cenário horripilante, circo dos horrores, em cujo picadeiro um político mascarado discursa para me convencer que mimese é só uma tese aristotélica: todo fingimento é verdadeiro!

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