Fila era crescente no fim da manhã de quinta-feira (19) na central de vacinação de Mariana, no centro. Foto: Flávio Ribeiro/VERTICES

DE MARIANA – Mesmo sem ainda ter registrado casos suspeitos ou confirmados de febre amarela, a principal central de vacinação de Mariana passa por semanas intensas de atendimentos. Desde o primeiro dia deste mês até a última sexta-feira (20) mais de duas mil pessoas foram vacinadas na cidade contra a doença.

Com o surto da febre amarela em Minas Gerais, confirmado pelo ministro da Saúde, Ricardo Barros, e a morte de 23 pessoas no Estado, a procura pela vacina aumentou de maneira excessiva. As filas aumentaram e a unidade de saúde teve que ampliar seu atendimento para cerca de três horas. Normalmente os funcionários trabalham até as 16h30; atualmente, chegam a ficar no local até às 19h.

Para dar conta de toda a demanda de vacinas da central, que aplicou mais de cinco mil injeções para todos os tipos de doenças somente neste mês, uma equipe de 12 pessoas tem que se revezar em um ambiente pequeno e abafado.

No fim do corredor, em um espaço provisório, uma das funcionárias prepara mais uma vacina contra a febre amarela, enquanto diz que já perdeu a conta de em quantos braços aplicou a injeção no dia. No local também são aplicados os medicamentos de rotina, como a vacina de tétano – uma das mais utilizadas durante a presença da reportagem.

A cada dia chegam novas caixas com doses contra a febre amarela – foram solicitadas 500 vacinas nesta semana. Somente em janeiro, Mariana recebeu mais de 2300 doses da vacina, em Ouro Preto esse número foi em cerca de 1500 unidades, de acordo com a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG).

Ao mesmo tempo chegam também turistas, moradores de Ouro Preto e Ponte Nova, além da própria população de Mariana, todos atrás de uma dose. Segundo a unidade, moradores de outras cidades preferem o atendimento em Mariana por não precisarem de agendamento.

A Secretaria de Saúde da cidade irá adotar medidas de precaução por conta da alta demanda, segundo nota encaminhada ao VERTICES.

“Realizamos uma reunião com o secretário de saúde, Danilo Brito, e com a referência técnica em saúde do Município, Rosana Morais, e decidimos reforçar a equipe para melhorar o atendimento ao público, visto que a procura tende a aumentar”, diz.

Funcionária diz que já perdeu a conta de quantas vacinas aplicou no dia. Foto: Flávio Ribeiro/VERTICES

O medo da doença

Com o alarde das notícias e até mesmo pela ausência de informações precisas, a maioria das pessoas que procuram a unidade de saúde não precisam tomar a vacina, e outras sequer possuem o cartão de vacinação atualizado.

De acordo com a coordenadora de imunização local, Poliane De Castro Marques, o atendimento em Mariana está sendo realizado de acordo com o calendário de rotina. E não houve recomendação dos órgãos de saúde para uma vacinação intensa.

“A gente continua vacinando as crianças de nove meses, e as de quatro anos recebem uma segunda dose. Já as pessoas que estão chegando sem o cartão de vacinação ou que tomaram a dose há muitos anos nós estamos fazendo um reforço”, afirma a enfermeira.

A maior parte das pessoas que permanecem na fila de vacinação ainda vão descobrir se precisam tomar uma dose contra a febre amarela ou não. É o caso de Ana Paula, de 19 anos, que decidiu enfrentar o sol de meio-dia atrás da injeção.

“Fiquei com medo, está passando no jornal. Eu vim aqui [no posto de saúde] para me prevenir, antes que acabem [as doses]”, diz ela, que apesar disso mantém o cartão de vacinação regular.

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