Cena de "A hora do Pesadelo", com personagem Freddy Krueger. Foto: Reprodução

Cena de “A hora do Pesadelo”, com personagem Freddy Krueger. Foto: Reprodução

DA AUTORA: Para Edson José da Silva. Foto: Arquivo Pessoal

Para Edson José da Silva. Foto: Arquivo Pessoal

A gente vai mudando com a marcha do tempo; falo especificamente de gosto e apreciação por determinadas coisas. Lembro-me dos filmes de terror que alugava com meus irmãos, no auge das fitas VHS. Não tenho nostalgia pelas fitas e muito menos com o videocassete (Deus me livre retroceder, depois de tantos avanços tecnológicos!), mas me vi recordando, ou melhor, retrocedendo no tempo, com humor e incredulidade, sobre a película preferida da garotada lá de casa, ‘A Hora do Pesadelo’, com Freddy Krueger, protagonizada com eficiência pelo ator norte-americano, Robert Barton Englund. ‘Freddynho cara queimada’, como gostávamos de chamar um dos maiores vilões das telas de cinema do clássico de terror, 

era um personagem horrendo, perverso e doentio que caçava pessoas durante seus sonhos.

A vítima era cruelmente alvejada quando não conseguia permanecer acordada.  Morte sinistra e cruel de se ver, quando vísceras e tripas eram arrancadas pelas garras afiadas de Freddy Krueger. Como é que alguém poderia gostar de ver aquelas cenas tão bizarras?  Questionei-me outro dia. Talvez porque nós, irmãos-adolescentes, gostávamos de ver a adrenalina ser impulsionada pelo medo. Minha irmã mais velha e eu fechávamos os olhos, tampando-os com as mãos, aguardando os irmãos menos medrosos, pois ninguém ali era corajoso o suficiente para não gritar na hora em que Fred Kruger entrava em ação. Cessada a cena horripilante, os irmãos avisavam que a perseguição havia terminado.

– ‘Freddynho cara queimada’ acabou com a mocinha ou com o mocinho! Podem abrir os olhos, suas medrosas!

Apesar de certo pânico e muita ojeriza pelas cenas violentas e macabras, achávamos graça em sentir medo. Quanta graça ingênua, multiplicada por cinco crianças que se nomeavam de pré-adolescentes, igualmente ingênuas. Quando o final do filme era anunciado pela derradeira música de fundo, os medrosos não assumidos iam devagar para seus quartos, com as luzes do corredor e do quarto apagadas, mas dormiam com as cabeça tampadas. Eu e minhas irmãs, as medrosas declaradas e assumidas, dormíamos com a luz acesa. Depois de um dia, o medo desaparecia feito fumaça apagada pelas águas da chuva. Estes gêneros de filme ocupavam o topo da lista dos mais assistidos pelos pré-adolescentes lá de casa. Atualmente não aprecio assistir filmes de terror. Tenho horror de ver cenas exageradas de violência. Muito sangue, muitas tripas, muitas vísceras, muitos ossos e corpos sendo dilacerados. Estórias boas nestes tipos de filmes são raras.

Os clássicos de terror fizeram parte de horas de entretenimento na adolescência de uma forma exagerada, mas prazerosa. Hoje curto dramas. Certamente pela idade mais avançada, pelo gosto que vai se modificando com o passar dos anos. Outro forte agravante, aqui entre nós, é que não tenho a companhia dos meus irmãos, repetindo alternadamente:

– ‘Freddynho cara queimada’ acabou com a mocinha ou com o mocinho! Podem abrir os olhos, suas medrosas!

Quem me avisará hoje, com tanta eloquência e paixão, que a perseguição cessou?

As informações e opiniões expressas nesta coluna são de responsabilidade única do autor.

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