Movimentações políticas citam possível aliança entre Marcelo Macedo (PSDB), Raimundo Horta (PMDB) e José Jarbas (PTB). Foto: Câmara de Mariana/Divulgação.

Política – 1

No texto da semana passada, comparamos a política marianense à superfície calma de um lago na ausência de vento, ressaltando que, poucos metros abaixo da superfície, era possível perceber “o lento e progressivo movimento das águas”.

A coluna havia sido fechada na quinta (09) e já na sexta-feira uma onda mais forte manifestou-se, perturbando a calmaria. Em manchete de primeira página, o jornal “Ponto Final” anunciava que “Celso Cota e Roberto Rodrigues se unem contra Du nas eleições”.

De acordo com o semanário, “articulação política inimaginável meses atrás, a união dos ex-prefeitos Celso Cota (PMDB) e Roberto Rodrigues (PTB) está praticamente acertada”. Acompanhando a manchete e o texto, uma fotomontagem apresentava os citados políticos frente a frente, sob um quadro retratando o atual prefeito.

Ainda na quinta-feira, antecipando-se à publicação do Ponto Final, a página eletrônica do Território Press publicava, “com exclusividade”, declarações do ex-prefeito contestando a matéria e queixando-se que “até a foto em que eu estou é uma montagem grotesca”. Apesar de confirmar encontro com Roberto Rodrigues, o ex-prefeito negava ter “firmado acordo de parceria política para as eleições de 2016 com Roberto Rodrigues”. É importante ressaltar que a fotografia estampada na primeira página da edição 1.053 do Ponto Final realmente era uma fotomontagem, adequadamente registrada como tal.

A coluna procurou obter mais informações sobre o assunto. O vereador Raimundo Horta, citado na matéria como pré-candidato do grupo (PMDB, PR e PSDB) negou a existência do acordo e confirmou sua pré-candidatura. Não obtivemos retorno dos ex-prefeitos Celso Cota e Roberto Rodrigues, mas em contato com Rômulo Passos, diretor do Ponto Final, obtivemos a informação de que a matéria estava ancorada em fontes confiáveis e em fatos “de conhecimento geral em Mariana”.

Foi com base nesses fatos (?) que escolhemos para a coluna de hoje a fotografia com os vereadores José Jarbas (Zezé), Raimundo Horta e Marcelo Macedo, ilustrando um eventual acordo (até o momento negado) entre PTB, PMDB e PSDB. Mas não é esse o principal mote deste texto. A grande questão que se coloca é a facilidade com que alianças são cogitadas (e até mesmo firmadas) na política marianense.

Até um certo período do século passado prevalecia a dicotomia Direita/Esquerda em Mariana. Fossem quais fossem os partidos aos quais estavam filiados os políticos e mandatários municipais, o que prevalecia era a divisão tradicional e quase imutável entre essas duas correntes. Capuletos e Montecchios do interior mineiro, as famílias não se misturavam e até mesmo frequentavam clubes diferentes. Lembro-me bem, apesar de muito novo, do mal-estar causado devido ao fato de meu tio Sílvio jogar no Marianense, enquanto meu pai e os tios Gil e Bias, jogarem no Guarany.

À parte um monte de exageros, havia lealdade e uma certa “pureza” política. Já há alguns anos, porém, essa fronteira tornou-se praticamente inexistente. Aliados de ontem tornam-se inimigos de hoje com a maior facilidade, nada impedindo que amanhã venham a abraçar-se e a proferirem juras de amor eterno. Um político em atividade (cujo nome preservo), candidamente lamentou o fim da era dos “coronéis” na política marianense. “Naquela época havia lealdade e as pessoas seguiam fielmente esses líderes”, afirmou.

É bem verdade que a Política (assim mesmo, com P maiúsculo) é a arte do entendimento e que seria bastante salutar para a cidade que as alianças se dessem em prol de ideias e planos de governo. Mas, será que isso vem ocorrendo em Mariana? Até o mais ingênuo observador é obrigado a responder com um sonoro não, pois é extremamente difícil acreditar que nossos políticos (com as exceções de praxe, se é que existem…) tenham essa capacidade. Ou, mesmo tendo, como explicar a volatilidade das alianças, a rapidez das mudanças e a praticamente inexistência de coerência a ideias e ideologias?

Mariana, assim como o restante do país, demonstra que a real preocupação dos políticos com os problemas da população hiberna durante três anos para acordar em anos eleitorais. Ideologia? Para que serve isso? Afinal, em reunião com líderes empresariais na semana passada, o Presidente interino afirmou: “Essa coisa de ideologia está fora de moda, as pessoas querem é resultado”.

Política – 2

Na reunião da Câmara Municipal de Mariana, realizada na segunda-feira (13) foi apresentado o relatório da Comissão de Sindicância instaurada para apurar as obras inacabadas (Arena Mariana Multieventos, do Centro de Convenções, do Matadouro Municipal, do Centro Administrativo, da Usina de Álcool e do campo de futebol no bairro Cabanas). Os comentários sobre as conclusões e deliberações serão objeto da coluna da próxima semana.

Gavetas

Também na reunião do dia 13 de junho, foi aprovado, por unanimidade e em votação única, o requerimento nº 77/2016, de autoria do vereador Marcelo Macedo. O documento “requer ao Chefe do Executivo para (sic) que encaminhe a essa casa, projeto de lei versando sobre a doação do terreno pertencente à municipalidade no distrito de Monsenhor Horta, especificamente a (sic) Rua Raimundo de Assis Ventura, próximo ao número 533, pois já era compromisso anteriormente firmado com aquela comunidade a doação do referido terreno para que ali possa ser erguida a Capela em homenagem a Santo Expedito”.

Na reunião do dia 23 de maio, porém, vários vereadores manifestaram-se contrários à cessão definitiva do antigo Colégio Padre Avelar (atual Instituto de Ciências Sociais Aplicadas) para a Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop). Um dos argumentos era que a municipalidade corre o risco de ficar sem patrimônio. Fica a pergunta: Qual a utilidade da coerência (assim como da ideologia)?

As informações e opiniões expressas nesta coluna são de responsabilidade única do autor.

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