DE MARIANA – Foi em frente à Prefeitura de Mariana que a maior parte dos manifestantes do ato “Justiça sim, desemprego não” decidiram se concentrar nesta segunda (07). Apesar de contar com o apoio de menos pessoas do que o esperado – cerca de 60 participaram, mais de 200 estavam em grupo do WhatsApp – , o protesto conseguiu avançar em negociações com o prefeito Duarte Júnior (PPS) ainda pela manhã. O ato reivindica a volta das atividades da Samarco, como geradora de empregos na região.

A empresa aguarda a análise e aprovação de dois licenciamentos já protocolados, junto à Superintendência Regional de Regularização Ambiental Central Metropolitana (Supram), do governo do Estado, e do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), vinculado ao governo federal, para a retomar a mineração em Mariana.

Segundo o prefeito Duarte Júnior, é possível que a Samarco volte a operar em julho ou agosto. Ainda de acordo com Duarte, as licenças, que foram encaminhadas para avaliação no final de fevereiro, não estão sendo barradas pelos órgãos competentes.

“Roberto Carvalho, presidente da empresa, me disse que a Samarco quer voltar a operar o mais rápido, mas agora não tem como. Foram embora algumas correias, estruturas, equipamentos caros [após o rompimento da barragem de Fundão]”.

O prefeito se comprometeu em realizar um pedido de participação do grupo protestante na reunião prevista para a próxima quinta-feira (10) na cidade, com a presença do presidente da Samarco, Roberto Carvalho.

Mesa de Desabafos

Em busca por respostas, os integrantes do ato falaram sobre a insegurança provocada pela queda nas vendas, e o crescente número de demissões em diversos setores da cidade, além do sentimento de abandono por parte do poder público.

Os governantes tem que aprender que eles trabalham pra gente, não nós que trabalhamos pra eles. Temos que implorar para ter uma reunião, parar a rodovia, implorar para virem conversar com a gente. Isso não existe não”, disse a comerciante Poliane Aparecida de Freitas, 28, coordenadora do protesto.

Em desabafo, o prefeito apontou que a falta de se pensar na diversificação econômica da cidade é um problema antigo que o aquecimento da economia para os comerciantes locais virá com a criação do Distrito Industrial.

“Tem uma coisa que me incomoda demais, tem hora que me falta o ar. Quando eu saio na porta de casa e ela está cheia de pedido de emprego. Cara, eu não tenho onde por. Pode chamar o Barack Obama. Vai zerar emprego? Não existe isso. A recuperação vai acontecer se tiver um distrito industrial, se você trazer uma empresa nova para Mariana”, afirmou Duarte Júnior.

Manifestantes vão à Câmara

Na reunião da Câmara nesta segunda (07), os integrantes do protesto pediram aos vereadores o apoio para solicitar permissão de fala do movimento na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), o pedido teria de ser feito pela Casa por ofício.

A comerciante Flávia Alice Monteiro da Silva Oliveira, 34, diz que “à medida que as repostas [das reinvidicações] forem saindo, os participantes irão se reunir. E se não obterem respostas, farão novas paralisações na estrada”.

O grupo ainda pretende realizar uma passeata na cidade, mas não há data marcada.

/COLABOROU FLÁVIO RIBEIRO

COMENTE

You may also like

Comments

Comments are closed.