Adão Júnior é um dos integrantes do Corpo de Bombeiros comunitário de Mariana. Foto: Arquivo Pessoal

Adão Júnior é um dos integrantes do Corpo de Bombeiros comunitário de Mariana. Foto: Arquivo Pessoal

DE MARIANA – Mariana não possui uma base do Corpo de Bombeiros Militar e as ocorrências são direcionadas à corporação de Ouro Preto, localizada a aproximadamente 15 km de distância. Além do afastamento, as duas cidades são separadas por uma estrada sinuosa, que pode dificultar o deslocamento de emergência em alta velocidade, e pelo eventual congestionamento no trânsito de veículos.

O Corpo de Bombeiros Civil comunitário de Mariana foi fundado em 20 de maio de 2011 por Adão Júnior, que antes trabalhava no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Em entrevista ao VERTICES, ele afirma que decidiu criar a equipe porque percebeu que Mariana necessitava de um serviço de atendimento dos bombeiros para a própria cidade. Adão foi presidente da corporação marianense durante quatro anos, mas hoje o cargo pertence ao aposentado do Corpo de Bombeiros Militar, Tenente Dutra.

Após a fundação, o grupo iniciou as atividades naquele mesmo período e, hoje, atende mais de 100 ocorrências por mês – sem incluir as ocorrências do Corpo de Bombeiros Militar de Ouro Preto e os atendimentos do Samu. Com a base localizada na rodoviária de Mariana num espaço de apenas duas salas, com os cargos de presidência, tesouraria e secretaria, a equipe possui cerca de 40 integrantes que trabalham, voluntariamente, 24h por dia.

Apesar de ter um importante papel social, a corporação não recebe nenhum tipo de financiamento público vindo da Prefeitura ou do Governo do Estado. Toda a renda é obtida por meio de eventos que a própria equipe organiza aos finais de semana; o valor arrecadado é dividido entre as pessoas que participam da organização e cobre os gastos com veículos, materiais de trabalho e outras utilidades. Adão revela que algumas promessas foram feitas pela Prefeitura em mais de um mandato, mas até o momento nenhuma se concretizou.

“Gostaríamos muito, é claro, de ter o apoio do município ou de alguma empresa para fazer o pagamento do pessoal que hoje trabalha aqui. Alguns estão trabalhando em outros locais e fazem plantão com a gente, mas outros estão parados sem emprego algum, sem renda nenhuma”, conta o antigo presidente da corporação.

Sede do Corpo de Bombeiros Civil comunitário possui apenas duas salas. Foto: Divulgação

Sede do Corpo de Bombeiros Civil comunitário possui apenas duas salas. Foto: Divulgação

Ações de prevenção a incêndios em Mariana não são oferecidas pelo Corpo de Bombeiros comunitário porque a equipe não é reconhecida oficialmente. Ainda assim, receberam o título de Utilidade Pública Estadual aprovado pela Comissão de Segurança Pública da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), por meio do Projeto de Lei n° 3488/2016. O projeto foi instaurado pelo deputado estadual Thiago Cota (PMDB).

“O Corpo de Bombeiros de Ouro Preto vem a algumas lojas daqui, faz algumas vistorias e está até começando a exigir prevenção e combate a incêndios, mas isso ainda está bem no início aqui na nossa região”, acrescenta Adão Júnior.

Parceria da comunidade

No início de novembro, o Corpo de Bombeiros Civil comunitário deu início a uma série de atividades voltadas ao público infanto-juvenil, como aulas de prevenção e combate a incêndios, atendimento hospitalar, artes marciais (taekwondo, jiu jitsu e boxe), capoeira, violão, guitarra e baixo, além de lições sobre os hinos nacional, mineiro e marianense. Segundo Adão, o principal objetivo do programa é o resgate de crianças e jovens da criminalidade; a equipe conta com o apoio da comunidade para dar seguimento ao projeto.

A Prefeitura de Mariana foi procurada pelo VERTICES para falar sobre a falta de investimento no serviço de Bombeiros, porém, não houve resposta até o fechamento desta reportagem.

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