Foto: Erik Furulund/Flickr/CC

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Imagine a seguinte cena: um bêbado dançando, três amigos numa mesa, dois casais em outra, e um sujeito, tipo “lobo solitário”, sentado sozinho num bar no centro de Ouro Preto. Ou seria um lobo vivendo um momento de solitude? Até porque, segundo a fonte de pesquisa mais acessada por estudantes do ensino médio – e até alguns universitários -, a Wikipédia, solitude não significa solidão.

Solitude: é o estado de privacidade de uma pessoa, não significando, propriamente, estado de solidão. Pode representar isolamento e reclusão, voluntários ou impostos, porém não está, diretamente, associado a sofrimento. Quando o indivíduo busca estar em paz consigo mesmo. Fonte: Wikipédia.

Pronto! Agora você pode tomar, sossegado, sua cerveja no bar e ninguém mais vai te achar um lobo solitário depois de ler este texto e entender o que é solitude. Mas, será que alguém que passa pelas ruas de pedra, num domingo à tarde, ainda exalando o cheiro da boemia da noite passada, consegue compreender o que é isso? Acho que não. Muitos devem pensar: “Um jovem, numa cidade cheia de jovens universitários, com tantas festas, sentado num bar, apenas com a companhia de um livro e sua bebida? Como pode? Isso vai contra as regras de ser jovem e universitário.”

“O coração desse sujeito deve ser tão gelado quanto a cerveja que o garçom acabou de trazer.” – sussurra o casal a poucos metros do sujeito.

“Nossa. Mas um jovem tão novo e solitário? Deve estar triste. Vamos chamá-lo para sentar com a gente?” – diz um dos três amigos que estão conhecendo a cidade pela primeira vez.

É. Talvez, naquele bar, o único que entende o “lobo solitário” seja o bêbado. Embriagado de tanta felicidade, segura sua garrafa de bebida contra o peito e dança, sozinho, ou melhor – com a sua companheira: a garrafa -,  a música que estava tocando de fundo, quase inaudível por causa das conversas nas mesas, naquele bar “copo-sujo”. Com um sorriso estampado no rosto, sem medo de ser ridicularizado, e sem ligar para a opinião dos outros, também aproveita seu momento de solitude.

Enquanto isso, existem outros “lobos solitários”, que gostariam de compartilhar da mesma solitude – e não solidão – do sujeito, sentado sozinho no bar e do bêbado feliz. Mas, por medo de ser taxado de infeliz e solitário, agoniza, ouvindo as conversas vazias e os risos de domingo em família. Ou assiste ao noticiário quase sempre repetitivo e vazio de sentido enquanto seu dia passa num piscar de olhos ou num cochilo no sofá.

Se você é um desses, meu caro, não tenha vergonha! Entre no bar, puxe uma cadeira, sente-se, chame o garçom e diga: “traga a mais gelada que tiver!”. Esse poderá ser um dos momentos de maior autoconhecimento de sua semana. Sem contar que você vai aprender a lidar com a melhor companhia que poderia ter: você. E, se não conseguir lidar consigo e seus pensamentos, nem que seja por algumas horas durante a semana, sinto lhe dizer: você, realmente, é um lobo solitário e não está vivendo momento de solitude. Então, vá em busca de uma companhia. Se não achar nenhuma, entre nesta coluna toda terça-feira e serei a companhia que você precisa. Só não tenho a cerveja gelada, nem a mesa de bar, mas tenho boas histórias. Pode confiar!

As informações e opiniões expressas nesta coluna são de responsabilidade única do autor.

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