A escritora Andreia Donadon Leal entre obras de sua autoria e outras grandes personalidades da literatura. Foto: Agliene Melquíades/VERTICES

A escritora Andreia Donadon Leal entre prateleiras que guardam obras de sua autoria e outras obras educativas. Foto: Agliene Melquíades/VERTICES

DE MARIANA – Ao adentrar a casa da artista Andreia Donadon Leal, prateleiras por todos os cantos abrigam os 16 livros da escritora e de outros autores, refletindo de modos peculiares  pedaços da história da humanidade, de maneira tão mágica a inibirem o portal da temporalidade.

A paixão e o envolvimento da artista com projetos literários, como o “Poesia Viva: a poesia bate à sua porta”, levaram Donadon a ser homenageada na V Bienal do Livro de Minas, que ocorre até o dia 24 de abril, em Belo Horizonte.

Criado por poetas aldravistas de Mariana em 2006, o projeto distribuiu cerca de 41 mil livros em escolas, bibliotecas, asilos, empresas e eventos culturais por 21 cidades mineiras e 15 estados.

Os textos são feitos em aldravias, um estilo de poesia criado pelos escritores do movimento. Andreia define a poesia aldravista como “um poema composto de seis versos de uma palavra cada, livre de amarras que venham a implicar na limitação de interpretações”. Na Aldravia, acrescenta, “a palavra é o elemento essencial formador da Poesia”.

Sustentação para caminhar

Em 2009, o Poesia Viva venceu o prêmio Vivaleitura, do Ministério da Cultura, e recebeu R$ 30 mil como bonificação.

A prefeitura de Mariana concedeu, em 2014, cerca de R$ 31 mil à ação, através de lei municipal, que determinava a liberação de recursos financeiros para custear livros  distribuídos gratuitamente para a rede municipal de ensino.

Com dois auxílios financeiros, o do poder público federal e municipal, nos seus 10 anos de existência, a iniciativa se mantém através de doações de livros por escritores e editoras nacionais. As despesas com a distribuição do material é paga pelos próprios fundadores do projeto, que doam os livros nos eventos em que participam e nas viagens que fazem pelo país.

“Nos estados que não visitamos ainda, os livros chegam a pedido de um morador ou professor, que faz a distribuição de porta em porta”, afirma Andreia.

Na cidade de Santa Bárbara, o incentivo do Poesia Viva semeou ações que se multiplicaram na educação e na comunidade local.

Para a diretora da Escola Municipal Marphiza Magalhães Santos, Claydes Regina Ricardo Araújo, 40, os livros do projeto e a presença dos escritores  movimentam a vontade de fazer a diferença na vida cultural das pessoas.

Em 2015 a parceria entre a rede municipal de ensino, o Poesia Viva e a Academia Brasileira dos Autores Aldravianistas InfantoJuvenil (ABRAAI) lançaram o livro “Aldravilhando – Leitura em Movimento”.

“Hoje somos conhecidos como a escola dos autores de aldravias, mas lemos e produzimos outros gêneros também. Já ganhamos concursos literários e uma de nossas professoras, a Viviane, foi finalista do prêmio Vivaleitura 2014. De um modo geral ganhamos autoestima, conhecimento e reconhecimento”, conclui a diretora Claydes.

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