O vereador Tião do Sindicato aumentou o patrimônio em 200% nos últimos quatro anos. Foto: Câmara de Mariana/Divulgação

O vereador Tião do Sindicato aumentou o patrimônio em 200% nos últimos quatro anos. Foto: Câmara de Mariana/Divulgação

DE MARIANA – O parlamentar Tião do Sindicato (PTC) atribuiu o número insuficiente de seus votos na eleição deste ano à reportagem publicada pelo VERTICES, que revelou o enriquecimento de vereadores durante os últimos quatro anos. Segundo o parlamentar, que recebeu 708 votos, ele foi “vítima de uma sacanagem”.

“Faltando um dia para a eleição, um jornalzinho aí soltou uma matéria [dizendo] que eu enriqueci quatro vezes mais na Câmara. [inaudível] Isso aí é sacanagem!”, criticou Tião no plenário.

Conforme o levantamento feito pelo portal, o patrimônio de Tião do Sindicato cresceu mais de 200% somente nos últimos quatro anos. O valor em bens declarado pelo próprio parlamentar ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) saltou de R$ 89,8 mil para R$ 274,8 mil.

Durante entrevista concedida por telefone, antes das eleições deste ano, o vereador alegou que o crescimento do patrimônio aconteceu devido ao fato de que ele estava “juntando” o salário.

O parlamentar também não conseguiu explicar a inclusão de um veículo modelo Pálio em sua declaração de bens. De acordo com os dados disponibilizados pelo TSE, há a descrição de um “Palio Uno” no valor de R$ 20 mil entre seus automóveis. Conforme a tabela da montadora Fiat, porém, Palio e Uno são modelos diferentes.

Ainda segundo Tião do Sindicato, há cerca de quatro anos ele paga o consórcio de um veículo modelo Gol, no valor de R$ 27 mil. Também não há essa descrição detalhada nos documentos entregues ao TSE.

Os dados e a lei

Para o especialista em direito eleitoral Ivo Gobatto Junior, a falta de clareza nos dados entregues ao TSE pode acarretar em prejuízo ao eleitor, “que pode eleger um candidato que foge à lisura que deve ter um agente público”.

Sem especificar como os candidatos devem declarar seus bens, a Justiça Eleitoral não fiscaliza os dados informados e raramente aplica penalidades sobre possíveis contradições.

“Em nosso entendimento [a lei] é falha sim! Deveria haver a previsão específica para o tema, que levasse até a aplicação de penalidades mais severas, inibindo este tipo de conduta, que fere frontalmente os princípios democráticos de direito. Se olharmos pela ótica da lei da ficha Limpa, fica claro que a sociedade busca cada vez mais políticos sérios e comprometidos com a causa pública.”

A reportagem do VERTICES agendou entrevista com o parlamentar antes da publicação do levantamento, para falar sobre seu cargo no sindicato e os dados eleitorais. O vereador não compareceu à hora marcada, e quando procurado novamente afirmou que estava em reunião. Também não houve sucesso ao contatar seu advogado.

 

//COLABOROU AGLIENE MELQUÍADES

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